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| Quem sou eu nesse jardim? |
A vida é como um jardim.
Existem as plantas, as flores e a grama, que juntas formam um visual lindo, além de exercerem um papel importante na purificação do ar ao seu redor.
Existem também os objetos decorativos: encantam-nos com sua beleza e simpatia e destacam-se na paisagem, mas não fazem nada além de enfeitarem o lugar.
As pessoas também são assim. Algumas são como as plantas, contribuindo de alguma forma para tornarem-se importantes e úteis aos seus próximos.
Outras são como os objetos decorativos: apenas decoram o ambiente. São lindos, simpáticos, populares... São lembrados por sua bela voz, pela sua beleza física, pela sua facilidade de lidar com o público... mas, se desaparecem dos lugares-comuns, não são nem notados.
Mas na verdade, os objetos decorativos gostariam de ser considerados úteis...
Esse meu jeito que (des)conquista...
Olá! Tem alguém aí?
Pois é. Talvez não haja ninguém. Mas mesmo assim, preciso escrever com a ilusão de que serei ouvida.
Eu já passei por vários momentos na vida. Meu jeito de ser passou por inúmeras mudanças. Em cada fase da minha história, me comportei de uma maneira. Já fui tímida, daquelas meninas cuja voz nem se escuta, sabe? Até os 12 ou 13 anos eu não tinha muitos amigos porque tinha vergonha de me apresentar para as pessoas. Muuuito tímida mesmo.
Aos 14 anos, comecei a participar mais ativamente dos grupos de adolescentes e jovens da minha igreja, conheci e fiz amigos da minha idade e assim minha timidez foi trabalhada até que sumiu. Sumiu tanto que aos 16 anos eu era conhecida por não ter vergonha de pagar “micos”, virei a “engraçadinha” da turma. Não tinha como eu passar despercebida, eu e minha turminha de amigas nos divertíamos muito, vivemos situações engraçadas nas quais ríamos umas das outras. Enfim, lembro com saudade da minha adolescência bem vivida.
Eu tinha tantos amigos... e eu gostava disso. Viver cercada de pessoas era algo que me alegrava muito, eu me sentia realizada. Pode até parecer egoísmo, mas eu me considerava alguém muito legal. Sempre pronta para ajudar, para dar um conselho, pra oferecer auxílio... eu me sentia meio “mãe” de todo mundo.
Então, em algum momento que eu ainda não descobri qual foi, isso começou a mudar. Talvez por eu ter saído do convívio dos meus amigos de infância (indo morar fora da minha cidade por 4 anos), perdi meu lugarzinho no coração deles.
Agora estou de volta ao meu lar. Há aproximadamente 8 meses voltei a morar onde nasci e fui criada. Mas, desde que cheguei, me sinto só. Muito só. Parece que os laços que me ligavam a este lugar foram cortados... meus amigos não são mais “aqueles amigos”...
Acho que eu não sou mais uma pessoa legal como antes. Sei lá! Acho que meu jeito de ser que, antes, conquistava as pessoas e as aproximava de mim, hoje as afasta. E a solidão não é uma boa companhia, sabem...
Eu me sinto esquecida, como aquele par de sapatos velhos que a gente deixa num cantinho quando ganha pares novos...
Sinto que as pessoas não sentem minha falta. Nem na saúde, nem na doença, na bonança ou na dificuldade. Simplesmente fico de lado... como aquele personagem que não tem influência nenhuma na história, no filme ou no conto, só faz figuração...
O que há comigo?
Não quero ser famosa nem ter meu nome em um painel luminoso! De jeito nenhum!
Só gostaria de ter de novo um lugar no grupo.
Gostaria de saber que assim como meus amigos são importantes pra mim, eu sou para eles. Gostaria de poder participar de suas alegrias e oferecer consolo nos momentos tristes. Gostaria de ser alguém com quem eles podem sempre contar. Só isso... apenas isso...
Gostaria apenas de ser lembrada como alguém que serve para alguma coisa... e não um mero enfeite decorativo...